A diferença essencial é simples: o seguro de acidentes pessoais protege-o apenas contra as consequências de um acidente, enquanto o seguro de saúde paga cuidados médicos tanto por doença como, na maioria das apólices, por acidente. Não são concorrentes: cada um resolve problemas diferentes e, muitas vezes, fazem mais sentido juntos.
Acidente ou doença: a linha que separa os dois seguros
Nas apólices de acidentes pessoais, acidente é um acontecimento súbito, imprevisto, de causa externa e alheio à vontade da pessoa segura. Uma queda, uma pancada, um corte, um acidente de trânsito ou de bicicleta.
Doença é tudo o que tem origem no próprio organismo: uma gripe, uma hérnia discal que surge com o tempo, um problema cardíaco. Mesmo quando a doença aparece de repente (um enfarte, por exemplo) não é considerada um acidente.
Esta distinção decide qual dos seguros responde. Por isso, na participação de um sinistro, o relatório médico que descreve a causa da lesão é tão importante.
O que paga cada seguro
O seguro de saúde funciona como um apoio às despesas médicas:
- Consultas, exames, internamento, cirurgias, partos e outros cuidados, consoante o plano.
- Normalmente através de uma rede de prestadores convencionados (paga só uma parte) ou por reembolso de despesas.
- Tem capitais anuais por cobertura e, muitas vezes, períodos de carência (tempo de espera antes de certas coberturas começarem a funcionar).
O seguro de acidentes pessoais paga sobretudo capitais e subsídios que o seguro de saúde não prevê:
- Capital em caso de morte por acidente, para os beneficiários.
- Capital em caso de invalidez permanente, proporcional ao grau de incapacidade.
- Subsídio diário por internamento ou incapacidade temporária, consoante a apólice.
- Despesas de tratamento resultantes do acidente, até ao limite contratado.
Ou seja: o seguro de saúde ajuda a pagar o tratamento; o seguro de acidentes pessoais ajuda a lidar com o impacto financeiro e pessoal de um acidente grave.
Um exemplo prático
Imagine que cai de uma escada em casa e fratura a coluna.
- O seguro de saúde (ou o SNS) trata da cirurgia, do internamento e da fisioterapia, dentro dos limites do plano.
- Se ficar com uma incapacidade permanente, é o seguro de acidentes pessoais que paga um capital, que pode usar como entender: adaptar a casa, compensar rendimentos perdidos, pagar apoio em casa.
- Se tiver subsídio diário, recebe também um valor por cada dia de internamento ou de incapacidade temporária.
Sem o seguro de acidentes pessoais, as despesas médicas podiam estar cobertas, mas as consequências a longo prazo ficariam por sua conta.
Porque é que se complementam
- Capitais que se somam: os capitais de morte e invalidez são, em regra, valores fixados no contrato e pagos independentemente de outros seguros que tenha. Confirme sempre nas condições.
- Despesas médicas não duplicam: o reembolso de despesas funciona como indemnização. Se o seguro de saúde já pagou uma fatura, essa parte não volta a ser paga pelo seguro de acidentes pessoais, mas este pode cobrir a parte que ficou a seu cargo, consoante a apólice.
- Sem carências habituais: nos seguros de acidentes pessoais, os acidentes ficam normalmente cobertos a partir do início do contrato, o que é útil enquanto decorrem as carências de um seguro de saúde novo.
- Custo: um seguro de acidentes pessoais costuma ter um prémio mais baixo do que um seguro de saúde, porque cobre um risco mais limitado.
Qual escolher?
Depende do que o preocupa mais:
- Se quer acesso rápido a médicos e hospitais privados, por doença ou acidente, o ponto de partida é o seguro de saúde.
- Se pratica desporto, tem uma profissão com mais exposição ou tem pessoas que dependem do seu rendimento, o seguro de acidentes pessoais traz uma proteção que o seguro de saúde não dá.
- Para muitas famílias, a melhor solução é ter os dois, com capitais bem pensados para não pagar coberturas repetidas.
E se só usa o SNS? Continua a fazer sentido pensar num seguro de acidentes pessoais: o SNS trata, mas não paga capitais por invalidez nem compensa os dias em que não consegue trabalhar.
Lembre-se também de que, se for trabalhador por conta de outrem, os acidentes de trabalho estão cobertos pelo seguro obrigatório do empregador; um seguro de acidentes pessoais protege-o também fora do trabalho.
Leia também: Quero fazer um seguro de acidentes pessoais: como faço?
Perguntas frequentes sobre o seguro de acidentes pessoais
O seguro de saúde cobre acidentes?
Na maioria das apólices sim, no que toca a despesas médicas, dentro dos limites do plano. O que normalmente não paga são capitais por morte ou invalidez permanente, nem subsídios diários.
Se tiver os dois seguros, recebo duas vezes pela mesma despesa?
Não. As despesas de tratamento só são reembolsadas uma vez. Já os capitais de morte, invalidez ou subsídio diário são, em regra, pagos de forma independente.
Um ataque cardíaco durante um jogo de futebol é um acidente?
Normalmente não, porque tem origem numa doença. Já uma lesão causada por uma queda ou um choque com outro jogador é um acidente. A resposta final depende das condições da apólice e dos relatórios médicos.
Se quiser, olho para os seguros que já tem e digo-lhe onde há lacunas ou coberturas repetidas: veja o seguro de acidentes pessoais, o seguro de saúde ou peça aqui a sua análise sem compromisso.
Fontes
- Regime Jurídico do Contrato de Seguro (Decreto-Lei n.º 72/2008): Diário da República
- Contrato de Seguro: Portal do Consumidor da ASF
Informação de carácter geral. Não dispensa a leitura das condições da sua apólice nem o aconselhamento personalizado.